sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Capítulo 10 - Novidade



((Light))

“Você sabia, Light Yagami, que Anjos apreciam morangos?”

Quem deixaria este tipo de mensagem? Mais importante ainda: Como me descobriu?

Se Ryuuzaki estivesse vivo, teria suspeitado dele. Mas simplesmente não havia como. Assim, minhas suspeitas obviamente recaíram para Near. Era um tanto ilógico esse pensamento, já que era impossível que o geniozinho já desconfiasse que as mortes pelo Death Note recomeçariam e já soubesse quem e onde espionar. Impossível. Até mesmo para um sucessor de L.

Mas esse era meu melhor chute. Era um tiro no escuro, e não conseguia imaginar ninguém além dele para brincar comigo desse jeito. Deveria começar a procurá-lo e ver até onde ele sabia. Near estaria recebendo informações de alguém? Se daria ao trabalho de ir até ali investigar ao invés de simplesmente mandar instalar câmeras? Afinal... Ele é o intruso?
Alguma coisa não se encaixava. Se o estranho estivesse me espionando desde que eu cheguei, então ele saberia de todo o plano. Precisava ser eliminado rápido. Passei o recado mentalmente mais uma vez.

"Você sabia que Anjos... Anjos..."

Hum... Porque necessariamente anjos? Eles não existiam. Shinigamis eram reais, mas Anjos não. Num átimo de segundo, lembrei-me de uma mensagem que havia deixado para L tempos atrás.

"Você sabia, L, que Shinigamis gostam de maçãs? "

As duas mensagens eram propositalmente no mesmo formato, como se o dono quisesse se divertir com as minhas tentativas frustradas de descobrir quem ele era. L escreveria algo como aquilo? As circunstâncias diziam que sim.

Balancei minha cabeça tentando afastar esses pensamentos.

L está morto,Light!” minha mente rugiu. “Pare de perder tempo com ilusões desnecessárias!”

—Vai me acompanhar à escola?- perguntou Kaori sem jeito, enquanto colocava os cadernos em sua mochila.

—Claro. – eu não a perturbaria com meu turbilhão de teorias. Ela era uma arma e uma arma sempre precisaria de alguém inteligente para puxar o gatilho na mira certa.

Saímos de seu quarto. Como eu estava com receio do intruso ainda estar lá, levei o Death Note comigo (em contato com minha pele, ele ficava invisível para os humanos assim como eu era). Atravessamos o apartamento e Kaori trancou a porta. Foi um dia comum e tedioso no colégio. Mas meu humor logo mudaria.

À tarde, nomes seriam escritos de novo. E meu Novo Mundo finalmente, se moldaria diante de meus olhos.

(...)

PRIMEIRO DIA

Kaori jogou a mochila na sua cama e abriu seu notebook como eu dissera. Deitou de bruços e com o caderno do lado passou a escrever. Sua letra era um tanto receosa.

Uma das minhas falhas em vida foi, inicialmente, matar somente criminosos japoneses. Eu não cometeria esse erro mais uma vez. Como a garota possuía fluência em inglês, foi fácil encontrar nomes e rostos de criminosos em páginas virtuais que possuíam outros idiomas. Com mortes acontecendo ao redor de todo o globo, Near se sentiria perdido. Excelente.

(...)

SEGUNDO DIA

A garota escrevia em média, 3 nomes por minuto. Na primeira tarde, ela havia começado à escrever ás 13:30h e terminado às 17:35h. Depois de tomar um banho e jantar, gastou mais 2h escrevendo. Ao todo, calculei mentalmente, ela dava conta de matar 915 criminosos à tarde e 360 à noite. Bons números.

(...)

TERCEIRO DIA

—Ainda acha que estamos sendo observados?

—Não tenho certeza. Mas devo dizer que nosso intruso ficou muito mais cuidadoso.

Ela terminou um nome. Olhou pra mim.

—Acha mesmo que pode existir um mundo onde não exista o mal?

Pensei sobre aquilo. Minha resposta foi objetiva.

—Eu tenho certeza. Você mesma está me ajudando nisso.

Desviou o olhar.

—Você se considera uma pessoa má?

Porque aquela conversa tinha tomado esse rumo? Eu não era uma pessoa má. Como um ser maligno desejaria um mundo apenas com os bons o habitando?

—Não, kaori. Eu não sou mal – cuspi –, os outros distorcem minhas ações, dizendo que eu não passo de um cara infantil e orgulhoso que quer ser elevado à divindade por seus atos justiceiros. Mas não é isso. Eu quero apenas consertar esse mundo, me livrando das peças defeituosas que há nele. – sorri - Ser um deus é só uma prazerosa consequência.

Ela não respondeu. Se tinha algum discurso pronto, deixou para si mesma. De qualquer modo, continuou seu trabalho.

(...)

QUARTO DIA

A mídia já estava agitada com tantas mortes. O Retorno de Kira não era mais um mito, mas um fato concreto. Todas as agências de polícia no mundo pareciam perdidas. Os governos mundiais, assustados. A única esperança estava em L, mas eles desconheciam o fato dele estar morto. Muitos debates surgiram sobre se deveriam apoiar ele ou não.

Eu estava satisfeito. Estaria Near com medo?

Sorri enquanto via um noticiário.

É melhor começar a temer pela sua morte, Near. Ela não vai demorar”.

(...)

QUINTO DIA

Na hora do almoço eu e Kaori costumávamos assistir TV para confirmar algumas das mortes que haviam sido escritas tarde passada. Naquele dia, foi o que fizemos. Mas havia algo errado. Muito errado.

– Nenhuma morte foi registrada até o momento. Isso mostra que os indícios de Kira ter retornado é falso? - a voz da repórter furava meus tímpanos como se fossem flechas mergulhadas em veneno.

Nenhuma... morte?

Eu devia estar enganado. Como assim nenhuma morte?! Olhei para Kaori, mas sua expressão era a mesma que a minha. Incompreensão. Descrença.

Meus novos ouvidos não estavam enganados, afinal.

O QUE ESTAVA ERRADO?

Eu havia estado com Kaori o tempo todo e tudo, absolutamente tudo havia corrido normalmente. O que havia dado errado?

Sem pedir permissão, peguei o Notebook da garota e chequei. Não havia diferença alguma, e era isso o que mais me deixava pasmo.

Respirei fundo. Ela me olhava quase assustada com minha reação, mas parecia surpresa também.

Mesmo assim, como todos os dias, mais nomes foram escritos.

Vamos ver qual é o tamanho do meu problema."

(...)

SEXTO DIA

Ninguém.

Ninguém havia morrido. Por quê?

INFERNO!

Soquei a porta fechada do quarto não me preocupando se a assustaria.

Primeiro um intruso e agora aquilo? Será que havia uma conexão em ambos?

Eu não sabia e no momento não queria raciocinar. A fúria me tomava por inteiro.

Fui até o térreo tentar me acalmar, mas era completamente impossível. Assim como o que estava acontecendo.

"Você me paga, intruso."


Não havia outra conclusão a tomar: O Death Note falhara.

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