segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Capítulo 9 - Aparição



((Lawliet))

"(...) Eu acho que não. Ei. Espera. Estamos sendo observados."

A vontade de rir me abandonou com essa simples frase.

Como ele sabia? Ele me descobrira assim tão fácil?

Passos furtivos mostraram que Light estava à procura do intruso – Eu.

Não. A hora de nosso reencontro não havia chegado. E quando chegasse, eu não hesitaria em me mostrar a ele. Mas não naquele momento. Precisava sair dali o quanto antes.

Em um minúsculo espaço abaixo da janela, eu me espremia tentando ao máximo não sofrer uma queda de 60 metros. Não que isso fosse me causar algum dano, mas me atrasaria.

Antes de ir, dei uma última olhada na janela. Light ainda procurava, mas seu olhar fixou-se em algum ponto no chão. Agachou-se, voltando com uma expressão vazia. Seu olhar ficou pensativo.

— Eu conhecia uma pessoa que gostava muito de morangos. – disse, e foi em direção à janela. Se não fosse pela persiana, ele teria me visto.

Nessa hora, me agachei e saltei para a sacada do quarto da garota. Lá, permaneci agachado atrás de um vaso florido. A janela foi aberta violentamente e Light colocou metade do corpo pra fora, percorrendo o espaço com olhos estreitos, à procura do intruso em questão. Era meu dia de sorte, pois ele não me achou.

—Light, há mesmo alguém no apartamento? - sua voz havia tomado um timbre indiscutivelmente tenso. - Será que... devo checar se meus pais estão bem?

—Não. – ele disse, e pude notar que estava tentando ouvir qualquer mínimo ruído que me entregasse. - Se houvesse alguém aqui, essa... Pessoa estaria nos observando por minha causa. Então, não ousaria machucar ninguém. – seu tom tornou-se pensativo – Há alguém nos investigando. Alguém autossuficiente o bastante para deixar essa "mensagem". Confesso que seus métodos são meio infantis. Assim como os de L.

“Vou ser ainda mais infantil quanto te pegar, Kira”, pensei, furioso.

—Ontem você me disse que L não pode voltar, e agora parece que desconfia de que ele esteja nos espionando! – Kaori argumentou.

—E eu não retiro o que disse. L não pode voltar, o que faz desse intruso alguém próximo à ele. Near talvez. Bem... acho que chegou a minha vez de investigar.

—Faça o que achar melhor- respondeu Yaoshii.

(...)

Então, Light iria observar Nate.

Era um tanto estranho ele achar que Nate se aventuraria espionando pessoas pela janela de um prédio, do que pensar que poderia ser eu. Era quase como se ele se esforçasse para acreditar que eu não tinha nada a ver com aquilo. O medo estaria fazendo-o pensar assim?

Levantei-me. Logo, Kaori iria para o colégio com Light a seguindo, me deixando sozinho em sua casa. Seria bom investigar o ambiente, sem ser interrompido, mas eu tinha outros planos.

Quando ela chegasse da escola, começaria a escrever nomes a mando de Light. E isso, provavelmente, seguiria durante toda a tarde. E ninguém notaria qualquer alteração em seu comportamento, já que nos dias em que Kira a vigiava, ela raramente passava uma tarde fora de seu quarto. Uma assassina perfeita.

Consegui ouvir a tranca da porta ser travada. Eu estava só. Em algumas horas, os criminosos começarão a morrer novamente.

O caso Kira precisava ser rearberto.

“Espero que não tenha medo de assombrações, Nate.”, pensei, enquanto me lançava à sua procura.

(...)

Não gostava de envolver Near naquilo, principalmente pelo fato de que meu sucessor tinha simplesmente 15 anos. Porém, se o Caso estava mesmo sendo reaberto, quanto mais ajuda melhor. Realmente, era errado eu interferir em acontecimentos mundanos, mas a situação em que eu me encontrava era... digamos... especial. Dessa vez, não havia só um humano com o caderno, mas um shinigami o controlando. Kaori podia ser detida, mas e Kira? Tudo o que ele precisaria fazer era escolher outro portador. Um ciclo estava realmente se formando?

Adoraria afirmar que não, mas era impossível ter certeza absoluta.

Já tinha uma ideia de onde Nate poderia estar. Assim como eu havia previsto, o Quartel General ainda existia, à espera de casos novos. Mas havia um problema: Anjos não podem se revelar a nenhum humano. É contra a Lei dos Arcanjos. Seria tão errado assim deixar o garoto me ver, pelo bem maior?

Só me mostraria para um humano. Seria tão grave assim?

(...)

Encontrei Nate no imenso cômodo, onde antes fazíamos nossas reuniões. Sabia de sua excepcional inteligência, afinal, o mérito resultante do final do Caso Kira foi totalmente dele.

Seu olhar sereno fixava-se nos legos coloridos logo abaixo de si. O rosto, completamente insondável. Cabelos brancos como a neve se sintonizavam com as vestes da mesma cor. Visto assim, parecia que o Anjo era ele, e não eu.

Sentado no centro do salão, construía com agilidade um castelo à sua volta. Andei até lá, concentrando-me para me tornar visível somente para ele. Não poderia correr o risco de alguém me ver, mesmo que por acidente.

—Nate . – chamei-o.

Ele ergueu a cabeça lentamente, procurando pelo som, e finalmente olhou para mim. Se eu escolhesse uma única palavra para descrevê-lo naquele instante, seria choque. Por incontáveis segundos, ele nada disse. Ficou apenas me olhando, com seus olhos cinzentos maiores que o normal e boca entreaberta.

—L? É você mesmo? - sua voz não passava de um sussurro.

—Sim. Sou eu.

—Mas... você está...

—Morto? Uhum. Porém devo acrescentar que, no momento, esse não é o maior de nossos problemas.

Ele balançou a cabeça, incrédulo.

—Eu não entendo...

Fiz sinal para que ele se mantivesse quieto.

– Há algum agente em expediente nesse momento? – questionei.

– Hmm... sim. – foi quase impossível entender o que ele dizia, já que a incompreensão havia tomado completamente seu raciocínio.

– Near, mande-os embora, tudo bem? Você é o único que pode me ver e ouvir nesta sala, e não ficaria bem pra você ser visto falando sozinho.

Ele se levantou devagar e dirigiu-se à porta principal. Minutos depois, entrou novamente e se dirigiu a mim:

– Tudo bem. Estamos sozinhos.

Recomecei:

– Sei que tem muitas dúvidas, garoto, mas por favor, não me interrompa. Há uma coisa que precisa saber. É sobre Kira.

Nate pareceu confuso.

— Mas Light Yagami foi morto e o caderno apreendido. O caso foi fechado. Eu mesmo dei sequência às suas investigações, L...

—E ele será reaberto.

Fui em direção a um sofá e me sentei. Ele sentou-se ao meu lado. Peguei um cubo de açúcar da mesinha e o equilibrei nos dedos. Contei tudo sobre Light. Ele escutou meu relato atentamente.

—E hoje à tarde, tudo recomeçará. Os assassinatos recomeçarão, como se nunca tivessem sido parados.

Nate ficou pensativo.

—Com Light sendo um shinigami será impossível detê-lo! Posso investigar e prender Kaori Yaoshii, mas não Light, e você deve saber disso. Ele já não pode ser mais prejudicado pela justiça humana.

Fitei o cubo de açúcar, meditando sobre as palavras que diria a seguir.

—Eu vou pará-lo, garanto isso a você.

Senti seus olhos me encarando.

—E como pretende fazer isso?

—Na verdade, Near, ainda não tenho certeza. E a falta de glicose em meu sangue não ajuda. Poderia, por favor, providenciar algo altamente doce para mim? Um bolinho, talvez...?

Rapidamente, os cabelos cor-de-névoa esvoaçaram para a cozinha, e ele me trouxe um bolo recheado, meu favorito.

Peguei um papel e uma caneta que havia em cima da mesinha. Lá, escrevi todas as informações que eu dispunha sobre a garota Yaoshii - desde seu endereço até os hobbies pessoais. Entreguei-o a ele, percebendo sua surpresa por notar minha solidez ao segurar os objetos.

—Com certeza, isso vai ajudá-lo.

—Como vou explicar a todos a origem dessas informações?

—Desculpe. Vai ter que pensar nisso sozinho.

Eu me levantei.

—Você será meus olhos nas investigações sobre a garota. E enquanto estiver a detendo, eu vou enfrentar Yagami.

Girei sobre os calcanhares.

—Preciso ir.

Comecei a me afastar.

—L.

—O que foi?

Ele desviou seus olhos e perguntou num murmúrio:

—Para onde as pessoas vão depois de mortas?

Silêncio.

Abri a boca para responder, mas me calei. Era uma pergunta comum que as pessoas fariam se pudessem ver fantasmas. Mas eu não era mais um fantasma. Eu era um Anjo que não podia sair espalhando segredos do cosmo a qualquer um.

Mas Nate não era qualquer um...

—Vamos dizer que quando sua hora chegar, não ficará desapontado. Mas não se preocupe... Não deixarei você morrer.

Ele deu um triste suspiro.

—Mello e Matt estão bem?

—Sim. Do jeito deles, estão bem sim.

Eu não queria dar tantas informações assim, mas ele me pareceu satisfeito com as poucas que eu dera. De repente, mudou de assunto.

—Como pode ter tanta certeza que algum dia Kira será totalmente derrotado?

—Você tem alguma dúvida quanto a isso?

Ele pareceu envergonhado.

—Não é isso. O problema é que o Caso foi aberto há tanto tempo! Mesmo agora, quando tudo está calmo... isso é, estava, não parecia que houvesse um recomeço, sabe?. É como se todos os nossos esforços, no fim, não tivessem valido nada! É estranho pensar que o destino está do lado de um assassino... Eu odeio ver as coisas desse ângulo. – ele disse, pegando um brinquedo nas mãos pequenas, tão semelhantes às minhas.

Aproximei-me dele e pousei uma mão em seu ombro.

—Logo tudo isso vai acabar. A justiça vai vencer e ninguém mais precisará morrer.

—Como pode ter tanta certeza?

—Pode chamar isso de Fé. A mesma que dizia a você pra manter quando Watari me levava para visitá-lo na Wammy’s House. A mesma que fez você superar Mello e assumir meu lugar.

Ele deu um meio sorriso. Passei os dedos em sua cabeleira alva, lembrando-me dos velhos tempos em que era somente Lawliet, com dezoito anos de idade, brincando com um garoto doce, treze anos mais novo que eu, de cabelos claríssimos com a finalidade de treiná-lo para detetive. Ele era somente uma criança...

Como Near havia crescido tão depressa?

Afastei-me, indo em direção à janela. Antes de ir, eu disse:


—Ainda vai receber visitas minhas. – e parti, deixando-o sem reação alguma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por ler!

Seja educado
Deixe seu link para que eu possa visitá-lo
Sinta-se livre para compartilhar as postagens, mas dê os devidos créditos

Até a próxima!


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 renata massa